Por que a gente produz?

Essa foi uma das perguntas que a Cynthia Margareth nos fez na residência Afeto, Criação e Partilha – Produção Colaborativa como (Re)Existência. Uma das razões é gerar contextos para a experiência. A gente faz um festival e produz ações como a Ocupação Junta EXPANDIDO por acreditar no potencial que elas têm de nos modificar.

Em tempos de áudios acelerados e muitas abas abertas, nosso encontro com Cynthia e as/os residentes foi um convite a estar presente, a habitar um mesmo tempo e espaço, ainda que atravessades pela velocidade das tecnologias. Nos conectamos para arar o chão dessa residência, semeamos trocas com Maria Lúcia Oliveira, Regina Veloso e Ellen Mello , e partilhamos nossa morada virtual com você e cada pessoa que nos visitou durante essas três semanas.

Além de saberes sobre produção cultural, semeamos afetos, escutas e olhares atentos, construindo uma morada em nuvem virtual e plataforma de videoconferências. Uma “Casa Abraço” feita a 28 mãos.

“quando a jovem perguntou sobre como descansar em meio a tantos movimentos que precisamos fazer, a sábia respondeu várias coisas, que, pra mim, se resumiram em: contato com a/nossa natureza e força/cura pela coletividade. E um tanto de espiritualidade pra nos ajudar a crer na vida, em meio a tantas materialidades nesse mundo devastado…

De tantas coisas conversadas nessa cozinha de tantos temperos e sabores, essa reverberou muito. Estamos cansades. Antes, durante e depois dessa pandemia. Mas a gente acredita na Vida, e por isso segue. E busca. Inventa, reinventa, se inventa. E tenta.”
(Trecho da Carta Final da Partilha da Residência).

Carta ao universo

Itabira 6 julho de 2021
O feio tem acompanhado muito esses dias. Meu corpo estremece a maior parte do tempo, me pergunto se esse frio acompanha somente a mim ou a todos
Ao longo das três semanas de abraços quentinhos, convivi com pessoas solares, de lugares distantes mas que se fizeram perto. Esse coletivo de sóis aqueceu o frio que estava insuportável. Aqui está um pouco mais quente, reverbera mim a chama do “tente, se não der certo pelo menos você tentou
Agora crio e quero criar mais e esses dois que estavam fora agora estão dentro, e mesmo fora dos encontros, sinto que me aquecem e me fazem perceber que sou também capaz de outros corações aquecer.